4 Conferência Nacional do Meio Ambiente (CNMA) 2013 - Resíduos Sólidos.
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Manual de Restauração Florestal: Um Instrumento de Apoio à Adequação Ambiental de Propriedades Rurais do Pará.

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Um Instrumento de Apoio à Adequação Ambiental de Propriedades Rurais do Pará.

Este manual traz em seu escopo os principais procedimentos para a restauração florestal na Amazônia, e baseia-se principalmente em atividades desenvolvidas visando ao Cadastro Ambiental Rural (CAR) e à adequação agrícola e ambiental de propriedades rurais em Paragominas, no Pará.

A restauração florestal é uma atividade antiga na história de diferentes povos, épocas e regiões (Rodrigues & Gandolfi , 2004). Na literatura especializada é possível rever casos de recuperação de áreas degradadas mineradas onde prevalece o plantio de espécies vegetais únicas, como gramíneas, na recomposição da cobertura vegetal - técnica do Tapete Verde (Griffithet al., 2000) ou mesmo o plantio de árvores pertencentes a uma única espécie como o eucalipto e o paricá.

SUMÁRIO

1. Introdução 
2. Marco Legal 
3. Uso e ocupação do solo em Paragominas
4. Situações ambientais passíveis de restauração florestal em Paragominas
5. Métodos de restauração florestal
6. Chave para tomada de decisão sobre o método de restauração
7. Escolha apropriada das espécies
8. Procedimentos operacionais envolvidos na restauração florestal
9. Avaliação e monitoramento das áreas em restauração e dos fragmentos florestais remanescentes 
    Referências Bibliográficas

APRESENTAÇÃO

Este manual traz em seu escopo os principais procedimentos para a restauração florestal na Amazônia, e baseia-se principalmente em atividades desenvolvidas visando ao Cadastro Ambiental Rural (CAR) e à adequação agrícola e ambiental de propriedades rurais em Paragominas, no Pará.

A restauração florestal é uma atividade antiga na história de diferentes povos, épocas e regiões (Rodrigues & Gandolfi, 2004). Na literatura especializada é possível rever casos de recuperação de áreas degradadas mineradas onde prevalece o plantio de espécies vegetais únicas, como gramíneas, na recomposição da cobertura vegetal - técnica do Tapete Verde (Griffithet al., 2000) ou mesmo o plantio de árvores pertencentes a uma única espécie como o eucalipto e o paricá.



Floresta, desafios e oportunidades - Evento promovido pelo SFB abre espaço para o fortalecimento do setor.

Arquivo/MMA
Florestas: R$ 14,7 bi e 600 mil empregos diretos
Do SFB 

O debate sobre os desafios e as oportunidades do setor florestal no país ganha contribuição nesta quinta-feira (22/11), com a realização do TiiFlor – Tecnologia, Inovação e Inclusão em Florestas, evento gratuito e aberto ao público que será promovido pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB) em Brasília (DF), com o apoio da Fundação Roberto Marinho e da Fundação Avina.

O encontro traz 14 representantes dos principais segmentos ligados à floresta para debater o tema, nas áreas extrativista, indígena, agropecuária, científica, de madeira nativa e de florestas plantadas, de negócios com uso de recursos da biodiversidade, de investimentos, microcrédito, turismo, manejo florestal comunitário, educação e comunicação.

Segundo o diretor-geral do SFB, Antônio Carlos Hummel, a experiência e os pontos de vista desses diversos atores fortalecem a discussão sobre o setor florestal. “Eles trazem elementos para a construção de uma Política Nacional de Florestas para o país”, afirma. "A ausência dessa política e de instrumentos econômicos de apoio ao setor são lacunas que precisam ser preenchidas para valorização do papel do uso e da conservação das florestas brasileiras.”.

VIDAS

O TiiFlor está estruturado no formato de palestras de 20 minutos cada, reunidas em três blocos. O primeiro, “Vidas na e da Floresta”, humaniza o debate a partir das histórias de pessoas que têm uma ligação direta com as florestas. O segundo bloco, “Ideias Sustentáveis”, tem foco na riqueza gerada pelas florestas, e o terceiro, “Informação em Movimento”, trata das iniciativas de difusão de conhecimento.

Com esta ação, o SFB busca gerar o compartilhamento de ideias, inovação e estimular cooperações futuras, oxigenar o debate, além de fomentar o interesse ou aprofundamento nas questões envolvendo florestas.

Presentes em cerca de 60% do território brasileiro, as florestas impactam na economia, com R$ 14,7 bilhões gerados em 2010 pela produção primária florestal, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); geram mais de 600 mil empregos formais e influenciam a vida de 20 milhões de pessoas se for considerada apenas a população da Amazônia, e toda a população brasileira, se considerados os serviços ambientais proporcionados por elas.

SERVIÇO
TiiFlor - Tecnologia, Inovação e Inclusão em Florestas
Inscrições: online e gratuitas, pelo site eventos.florestal.gov.br/tiiflor.
Data: 22 de novembro
Horário: 9h às 19h.
Local: auditório da Escola de Administração Fazendária (Esaf) – Rodovia DF 001, KM 27,4 – Setor de Habitações Individuais Sul, Lago Sul – Brasília (DF). Haverá transporte gratuito saindo da Universidade de Brasília (estacionamento do ICC Norte) e da Biblioteca Nacional (estacionamento próximo ao antigo Touring)

Programação

9h – 9h40 Credenciamento

9h50 – 10h Abertura

10h – 12h Sessão I: Vidas na e da Floresta

Sônia Guajajara (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira - Coiab)
Johan Zweede (Instituto Floresta Tropical - IFT)
Marize Costa (Fazenda Santa Brígida/GO)
Manoel Cunha (Conselho Nacional Seringueiros e Extrativistas - CNS)
Antonio Nobre (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - Inpa)

12h – 14h Almoço

Exposição Produtos Florestais
Painel Interativo
Caminhos do Cerrado: Trilha guiada pelo Cerrado do Jardim Botânico de Brasília (30 min)

14h – 16h Sessão II: Ideias Sustentáveis

Jonas Perutti (Empresa Florestal Madeflona - concessionária florestal)
Renata Puchala (Natura)
Francisco Bueno (Associação Brasileira de Celulose e Papel - Bracelpa)
Carlos Guerreiro (The Timber Group - TTG Brasil)
Jean-Claude Razel (Associação Brasileira de Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura - Abeta)

16h – 16h30 Intervalo ( Café com arte)

16h30 – 18h30 Sessão III: Informação em Movimento

Frans Pareyn (Associação Plantas do Nordeste - manejo florestal comunitário na Caatinga)
Andrea Margit (Fundação Roberto Marinho)
Joaquim de Melo (Banco Palma)
Matthew Shirts (National Geographic/Planeta Sustentável)

Encerramento

Senadores apresentam projeto que muda novo Código Florestal

Eles querem resgatar percentuais de reflorestamento excluídos na Câmara. Proposta é de Jorge Viana e Luiz Henrique, que relataram texto no Senado.

Iara Lemos e Nathalia Passarinho
Do G1, em Brasília

Os senadores Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC) e Jorge Viana (PT-AC) apresentaram um novo projeto que altera o Código Florestal aprovado na Câmara dos Deputados na última quarta-feira (25). O projeto resgata percentuais de reflorestamento em margens de rios - item que constava do texto aprovado no Senado e foi retirado pelos deputados. A votação do Código Florestal pelo Congresso foi finalizada, e o texto está agora sob análise da presidente Dilma Rousseff, que pode vetá-lo total ou parcialmente. O projeto apresentado pelos dois senadores ainda terá de passar por comissões na Casa antes de chegar ao plenário. Se aprovado, seguirá para análise da Câmara, onde também será submetido ao rito de avaliação por comissões e votação no plenário. Se alterado na Câmara, voltará para apreciação dos senadores.

Como a origem do projeto é o Senado, a decisão final só ficará a cargo da Câmara - onde o peso da bancada ruralista prevaleceu na votação da última quinta - se os deputados não modificarem a proposta.
"Este está saindo do Senado e nós vamos dar a palavra final. Pode ser que aí o bom senso permaneça, e o meio ambiente não saia perdendo tanto", disse o senador Jorge Viana.

Luiz Henrique e Jorge Viana foram relatores da proposta da nova legislação ambiental, que foi aprovado no Senado no final do ano passado. Na votação do Código na Câmara, o governo queria que os deputados analisassem o texto do Senado, mas acabou derrotado. A proposta, apresentada na noite de quarta (25) pelos senadores, muda o novo Código Florestal caso ele seja sancionado como está. O projeto de lei resgata alguns pontos que foram retirados pelo relator da matéria na Câmara, Paulo Piau (PMDB-MG), e que trazem garantias de proteção às áreas de preservação permanente (APPs).

O projeto

O projeto dos senadores exige uma recomposição de reflorestamento de no mínimo 30 metros aos produtores que se consolidaram em APPs, ao longo de rios com largura superior a 10 metros. Segundo a proposta, os produtores localizados nestas áreas terão de reflorestar o correspondente a metade da largura do curso d'água, observado o mínimo de 30 metros e o máximo de 100 metros. O projeto de Piau, aprovado na Câmara, deixa os percentuais de recomposição a cargo da União e dos estados.

Outra mudança apresentada pelos senadores afeta os grandes produtores. Imóveis com área superior a quatro módulos fiscais, que possuam áreas consolidadas em APPs ao longo de curso d'água, com largura superior a 10 metros, só poderão continuar no local se seguirem os critérios técnicos definidos pelos conselhos estaduais de meio ambiente. O artigo exige ainda a recomposição de metade da largura do curso d'água, observado o mínimo de 30 metros e o máximo de 100 metros. A proposta de Piau também não define taxa de recomposição para os grandes produtores.

A proposta aprovada pela Câmara excluiu a necessidade de recomposição de no mínimo 30 metros a ruralistas que produzem em torno de olhos d'água - local onde há o aparecimento de fontes de água. Os senadores resgataram esta obrigatoriedade, que já estava no texto aprovado pelo Senado no final do ano passado.

Nesta sexta-feira (27), em discurso no plenário do Senado, o senador Luiz Henrique criticou aprovação pela Câmara do relatório do deputado Paulo Piau. Ele destacou que o texto do Senado foi feito com a participação de deputados e das bancadas ruralista das duas Casas.

"Não houve uma vírgula que não tivesse o aval daqueles técnicos. E muitos dos dispositivos que foram substituídos na votação da Câmara foram, inclusive, redigidos por assessores da Frente Parlamentar da Agricultura. Isso aumenta a nossa frustração. Isso aumenta a nossa decepção pelo que ocorreu no Senado, já que o projeto, no Senado, foi feito com as mãos do Senado e com as mãos da Câmara", afirmou Luiz Henrique.



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Dilma deve vetar partes do Código Florestal que levem a anistia, diz Ideli

Ministra lamentou texto da nova lei aprovada nesta quarta pela Câmara. Proposta manteve regra que manda recompor áreas desmatadas em rios.

Iara Lemos
Do G1, em Brasília

A ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, afirmou na tarde desta quinta-feira (26) que a presidente Dilma Rousseff deverá vetar partes do projeto do novo Código Florestal aprovado pela Câmara dos Deputados na noite desta quarta-feira (25). Segundo Ideli, a presidente já afirmou que vai eliminar trechos do projeto que representem anistia para desmatadores.

"Eu tenho a convicção, até porque ela [Dilma] já manifestou inúmeras vezes, que o que representar anistia não terá apoio, não terá respaldo do governo. Qualquer questão que possa ser interpretada, ou, na prática signifique anistia, eu acredito que tenha chance de sofrer o veto porque ela [Dilma] já tinha anunciado", disse Ideli.

A ministra não detalhou que trechos da nova lei podem levar à anistia, que perdoem multas aplicadas ou que desobriguem o produtor rural a recompor vegetação devastada. O texto passou na Câmara com pontos defendidos por ruralistas e sem as mudanças feitas a pedido do governo na versão que havia sido aprovada no Senado.

"O governo defendia o projeto aprovado pelo Senado porque foi uma construção de bom-senso, que buscava atender os interesses, tanto dos ruralistas quanto dos ambientalistas. Agora, a Câmara deliberou de forma diferente. Obviamente tem de ser respeitada, e a presidente Dilma vai avaliar com toda a serenidade para a sanção do projeto", completou Ideli.

Recomposição

O texto aprovado nesta quarta manteve regra aprovada no Senado que obrigava os produtores a recompor vegetação desmatada em beiras de rio, numa faixa de no mínimo 15 metros ao longo das margens. O relator, porém, incluiu dispositivo segundo o qual a exigência de recomposição para pequenos produtores "não ultrapassará o limite da reserva legal estabelecida para o respectivo imóvel". A reserva legal é o percentual de mata nativa que deve ser preservado nas propriedades privadas(varia de 20% a 80% do tamanho da terra, dependendo da região). O artigo de Piau visa evitar que a área de recomposição de APPs se torne muito maior do que a propriedade que poderá ser mantida pelo produtor.

A recomposição vale para quem desmatou até julho de 2008 e é uma alternativa ao pagamento de multas aplicadas aos produtores que produziram em APPs. A regra sobre a recomposição havia sido abolida no relatório do deputado Paulo Piau (PMDB-MG), mas foi reinserida pelo presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), o que foi considerado uma vitória do governo.

Princípios

Outra alteração aprovada na Câmara  e considerada umas das principais modificações para atender ao setor agropecuário está na exclusão do artigo 1º do texto aprovado pelo Senado, que definia uma série de princípios que caracterizam o Código Florestal como uma lei ambiental.

Ficou de fora, por exemplo, orientação para que o Brasil se comprometesse com a preservação das florestas, da biodiversidade, do solo, dos recursos hídricos e com a integridade do sistema climático. Também foi eliminado princípio que reconhecia "função estratégica" da produção rural para a recuperação e manutenção das florestas. Outro princípio excluído dizia que o Brasil iria seguir modelo de desenvolvimento ecologicamente sustentável, para conciliar o uso produtivo da terra com a preservação.

Para o PV e o PT, ao rejeitar esse dispositivo, o relator reforçou a tese de que o Congresso está transformando o Código Florestal em uma lei de consolidação de atividades agropecuárias ilegais, ou uma lei de anistia, o que contraria o governo.



Entenda o que diz o texto do Código Florestal aprovado na Câmara

Código traz regras sobre a preservação ambiental em propriedades rurais. Projeto será enviado à presidente Dilma, que poderá sancionar ou vetar.

O novo Código Florestal aprovado na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (25) traz mudanças em relação ao código atual em pontos importantes como as Áreas de Preservação Permanente (APP) e a reserva legal. O código já havia sido aprovado na Câmara em maio de 2011, quando a base aliada aprovou, mesmo com orientação contrária do governo. Depois, o texto passou pelo Senado, em dezembro de 2011 e, por ter sido modificado pelos senadores, voltou para a Câmara, onde teve a votação concluída nesta quarta. Agora, o projeto vai para sanção da presidente Dilma Rousseff, que tem direito de fazer veto integral ou parcial.

Veja na ilustração abaixo os principais pontos do antigo e do novo código. Abaixo, veja item por item os principais assuntos.



RESERVA LEGAL

É a área de mata nativa que deve ser preservada dentro da propriedade.

- O que passou na primeira votação na Câmara

De acordo com o texto aprovado na Câmara, a área a ser protegida na Amazônia Legal corresponde a 80% da propriedade; 35% no cerrado; e 20% em outras regiões.

- O que passou no Senado

O projeto aprovado no Senado permanecia com as especificações citadas, mas possibilitava a redução da reserva para 50% em estados e municípios com mais de 65% das suas áreas em reservas ambientais, desde que a redução seja autorizada pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente.

- O que passou segunda votação na Câmara

Os deputados aprovaram o que havia passado pelo Senado, mas com a seguinte modificação: a redução de reserva legal será definida em nível estadual. Ou seja, se o estado possuir mais de 65% de áreas protegidas (unidade de conservação e/ou terras indígenas), a reserva poderá ser diminuída desde que uma lei estadual autorize isso. 

ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APPs)

São locais vulneráveis, como beira de rios, topo de morros e encostas, que não podem ser desmatados. Atualmente, produtores devem recompor 30 metros de mata ciliar para rios com até 10 metros de largura.

- O que passou na primeira votação na Câmara

O texto previa redução para 15 metros de recuperação de mata para rios com largura de até 10 metros. O projeto aprovado autorizou o uso de APPs para alguns tipos de cultivos, como maçã e café. A atividade precisaria ser regulamentada em lei posterior e dava espaço para que cada estado decididisse. O governo foi contra, mas acabou derrotado pela bancada ruralista e parte da base aliada.

- O que passou no Senado

O texto obrigava aos proprietários com até quatro módulos fiscais - o módulo varia entre estados de 20 a 440 hectares -, de não exceder a recuperação em 20% da área da propriedade. Para propriedades maiores que quatro módulos fiscais em margem de rios, os conselhos estaduais de meio ambiente estabeleceriam as áreas minimas de matas ciliares, respeitando o limite correspondente à metade da largura do rio, observando o mínimo de 30 metros e máximo de 100 metros. Assegurou a todas as propriedades rurais a manutenção de atividades agrossilvopastoris nas margens dos rios, desde que consolidadas até 2008.

O texto aprovado exigia dos produtores a recomposição de, no mínimo, 15 metros de vegetação nativa nas margens de cursos d'água com até 10 metros de largura. Previa ainda que, para os rios com leitos superiores a 10 metros, a faixa de mata ciliar a ser recomposta deveria ter entre 30 e 100 metros de largura.

- O que passou na segunda votação na Câmara

No caso de rios com até 10 metros de largura, o proprietário rural deverá recompor uma faixa de, no mínimo, 15 metros de mata ciliar. Não foi definida regra para os rios maiores.

As chamadas pequenas propriedades (de até quatro módulos fiscais) terão uma regra especial: a soma das APPs (sendo beira de rio, inclinação ou topos de morro, por exemplo) será limitada a um percentual da área total da propriedade. Em área de floresta amazônica, o percentual será de 80%. Já no cerrado que esteja localizado na Amazônia Legal, será de 35%. Em outros lugares, será de 20%. Esses percentuais correspondem às regras de reserva legal.

Já nas áreas urbanas, as regras para todos os tipos de APPs serão definidos pelos planos diretores municipais.

CONVERSÃO DE MULTAS

O Código Florestal prevê anistia a multas por desmatamento desde que haja reflorestamento.

- O que passou na primeira votação na Câmara

Produtores rurais com propriedade de até 4 módulos fiscais, autuados até julho de 2008, poderiam converter multas com reflorestamento, de acordo com o texto aprovado pela Câmara.


- O que passou no Senado

Texto do Senado ampliou o benefício também para os grandes proprietários rurais que desmataram até julho de 2008.

- O que passou na segunda votação na Câmara

Mantém a possibilidade a agricultores de todos os portes converterem multas com o reflorestamento. A presidente Dilma Rousseff suspendeu até junho as multas aplicadas a quem desmatou até 2008. O texto estabelece que, após a sanção e posterior definição das regras para as APPs, os produtores assinem termo para a recomposição. Caso não reponham a vegetação num determinado prazo, deverão pagar multa. As multas ficam suspensas a partir do momento da sanção do Código.

Câmara aprova texto-base do novo Código Florestal

Texto tem pontos defendidos por ruralistas que haviam caído no Senado. PT defendia aprovar o texto do Senado, mas não obteve maioria

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (25) o texto-base do projeto que modifica o Código Florestal, com pontos defendidos por ruralistas e sem as mudanças feitas a pedido do governo na versão que havia sido aprovada no Senado. O texto agora não volta mais para o Senado. Com a conclusão da votação na Câmara, a proposta irá direto para a sanção da presidente Dilma Rousseff, que tem o direito de vetar o projeto na íntegra ou em partes.

O texto-base foi aprovado com 274 votos a favor, 184 contra e duas abstenções. O relator, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), retirou pontos que tornavam o texto "ambientalista", na visão dos ruralistas. A principal vitória do governo foi a manutenção de um ponto aprovado no Senado que previa a recomposição de mata desmatada nas margens de rios. Pelo texto aprovado, os desmatadores deverão recompor uma faixa de, no mínimo, 15 metros de mata ciliar ao longo das margens. Umas das principais modificações para atender ao setor agropecuário está na exclusão do artigo 1º do texto aprovado pelo Senado, que definia uma série de princípios que caracterizam o Código Florestal como uma lei ambiental.

Ambientalistas protestam nas galerias da Câmara (esq.); deputados ruralistas comemoram 
(Fotos: Reuters)

Para o PV e o PT, ao rejeitar esse dispositivo, o relator reforçou a tese de que o Congresso está transformando o Código Florestal em uma lei de consolidação de atividades agropecuárias ilegais, ou uma lei de anistia, o que contraria o governo. Ficaram de fora, por exemplo, orientação para que o Brasil se comprometesse com a preservação das florestas, da biodiversidade, do solo, dos recursos hídricos e com a integridade do sistema climático.

Também foi eliminado princípio que reconhecia "função estratégica" da produção rural para a recuperação e manutenção das florestas. Outro princípio excluído dizia que o Brasil iria seguir modelo de desenvolvimento ecologicamente sustentável, para conciliar o uso produtivo da terra com a preservação.

PT

O PT tentou convencer os parlamentares a rejeitar a versão de Piau e aprovar o texto do Senado na integralidade, mas não obteve maioria. Isso porque o PMDB, segunda maior bancada da Câmara, e a bancada ruralista votaram em peso pelo relatório de Piau. "Anuncio 76 votos do PMDB para o texto do Piau. O Código Florestal deve proteger, querem que criminalize [o produtor]", disse em discurso no plenário o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN).

Em vão, o líder do PT, Jilmar Tatto (SP), fez um apelo para que os deputados aprovassem o texto do Senado, que previa maiores garantias de proteção ao meio ambiente. "Não queremos crescimento que degrada e que depreda, como está acontecendo com a China. Queremos um crescimento sustentável. Um crescimento com água limpa, mananciais para que região urbana possa ser abastecida e que a região rural possa ter água para irrigar", disse.

Para Tatto, o texto de Piau significa um retrocesso na lei ambiental. "Esse relatório é um retrocesso. Vamos votar o relatório do Senado e vamos fazer ajustes, mas ajustes que dialogam com o setor ambiental e com o governo", pediu. O PT ainda tentará modificar trechos do relatório de Piau através de destaques.

Reflorestamento

Para o presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), o relator contrariou o regimento da Casa ao excluir trecho do texto aprovado pelo Senado que exigia dos produtores a recomposição de, no mínimo, 15 metros de vegetação nativa nas margens de cursos d'água com até 10 metros. O artigo prevê ainda que, para os rios com leitos superiores a 10 metros, a faixa de mata ciliar a ser recomposta deveria ter entre 30 e 100 metros de largura.

A recomposição vale para quem desmatou até julho de 2008 e é uma alternativa ao pagamento de multas aplicadas aos produtores que produziram em APPs. O relator tentou deixar os percentuais de recomposição para regulamentação posterior, a cargo da União e dos estados. No entanto, o presidente da Câmara disse que o trecho não poderia ter sido excluído porque já tinha sido aprovado pelo Senado e também pela Câmara, na primeira votação da matéria, em maio de 2011. Desse modo, Maia restituiu o artigo do Senado que previa os limites de recomposição da área desmatada.

Diante da exigência de Maia, Piau decidiu incorporar ao seu texto o parágrafo 6ª do artigo 62, que estabelece que a exigência de recomposição em APPs para pequenos produtores "não ultrapassará o limite da reserva legal estabelecida para o respectivo imóvel". A reserva legal é o percentual de mata nativa que deve ser preservado nas propriedades privadas, a depender de cada região. O artigo de Piau visa evitar que a área de recomposição se torne muito maior do que a propriedade que poderá ser mantida pelo produtor.

APP em área urbana

Ao ler o relatório nesta quarta, Piau fez uma modificação no texto que foi admitida por Marco Maia. O relatório preliminar, entregue na terça aos deputados, suprimia completamente referências às Áreas de Preservação Permanente (APP) em região urbana.

Piau resolveu resgatar trecho do texto do Senado que contém a previsão das APPs. No entanto, o relator retirou a última frase do artigo que restringia o limite das faixas de beira de rio. Pelo texto de Piau, os estados e municípios poderão delimitar livremente as áreas de preservação em cursos d’água de regiões urbanas.

"Quando você amarra nestas faixas, você está ajudando a confundir mais. Imagina Petrolina e Juazeiro, onde passa o rio São Francisco ali, fica engessado na sua área de expansão. Você limita e tira a autonomia dos municípios de tomar a decisão", afirmou o deputado.

A alteração foi questionada por parlamentares do PV e do PSOL. Segundo eles, pelo regimento, Piau não poderia mudar a redação do texto do Senado. No entanto, o presidente da Câmara disse que Piau, como relator, pode suprimir trechos acrescentados pelo Senado que não tenham sido aprovados na Câmara.

O relatório

Ao todo foram feitas 21 mudanças no substitutivo aprovado pelo Senado no ano passado. Muitas foram apenas correções de redação e exclusão de artigos repetidos. Outras trataram de pontos importantes para produtores rurais e ambientalistas.

O texto de Piau excluiu da versão do Senado os artigos que regulamentavam as áreas de criação de camarões, os chamados apicuns, que considerou excessivamente detalhados. Apenas partes dos artigos que tratavam do uso restrito de solo foram mantidas, deixando claro que as criações dependem do zoneamento ecológico e econômico da zona costeira.

Também foi retirado o artigo que exigia a adesão de produtores ao Cadastro Ambiental Rural (CAR) em até cinco anos para o acesso ao crédito agrícola. Segundo o relator, o cadastro depende do governo, o que poderia prejudicar os produtores.

'Mundo está de olho no Código Florestal', diz diretor da ONU

O diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner, disse nesta segunda-feira (16) que "o mundo inteiro" observa a movimentação da política brasileira em torno do novo Código Florestal.

Steiner disse que apesar da questão ser de “política interna”, a decisão tomada poderá enviar um sinal positivo ou negativo sobre o país à comunidade internacional. Ele participou de evento sobre governança ambiental e a Rio+20, promovido no Rio de Janeiro pelo ministério do Meio Ambiente. A Rio+20 é a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que acontece em junho no Rio, e que já tem cem chefes de Estado confirmados para discursar na plenária principal, de acordo com o Itamaraty.

“O mundo inteiro está olhando para o Brasil hoje, querendo saber o que vai acontecer no Código Florestal (...) É uma questão de política interna, que cabe aos brasileiros decidir, mas o país também pode mandar um enorme sinal sobre sua liderança no progresso sustentável ao longo dos últimos 20 anos, que pode ser consolidado ou sofrer um revés”, explica.


Amazônia em foco

Para o diretor do Pnuma, programa que pleiteia na Rio+20 a chance de se tornar uma agência especializada -- que terá poder de reger políticas globais ambientais -- existe uma preocupação externa sobre o impacto das mudanças da lei na Amazônia.


“O Código Florestal pode reduzir o valor do ecossistema amazônico (...) Mas não sou eu quem vai julgar isto. Acho que o mundo não deveria intervir em um processo democrático interno, mas ele [os países] têm direito de definir quais são suas políticas preferidas para o Brasil”, explica.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que também participou do encontro no país não fez comentários sobre a votação do Código Florestal, que segue em negociação no Senado. Ela afirmou que falaria apenas quando o relatório em análise no Congresso estivesse pronto.

No entanto, Izabella afirmou que o Brasil precisa reestruturar a governança ambiental nacional (políticas voltadas para o meio ambiente), que, para ela, já está “vencida”. “O sistema está vencido em face aos desafios recentes. O debate sobre o Pnuma nos instiga e nos coloca um dever de casa”, disse a ministra.

Manifestantes protestam contra Código Florestal em Brasília


A política ambiental do governo Dilma Rousseff foi qualificada como "retrocesso" pela ex-senadora Manina Silva. Manifestantes protestaram em frente a Esplanada dos Ministérios. Segundo a carta que Marina Silva enviou à presidente, a política ambiental foi marcada "pelo maior retrocesso da agenda socioambiental desde o final da ditadura militar". A política do Código Florestal estaria contrariando compromissos assumidos por Dilma na campanha presidencial, já que recusa artigos no texto que resultassem em anistia a desmatamentos ilegais.


Mulheres da Via Campesina também enviaram cartas e e-mails à presidente Dilma Rousseff para pedir o veto das mudanças no Código Florestal. Na carta enviada a Dilma, grupo pressionou: "acreditamos que a senhora não quer ser lembrada na história como a presidenta que liberou o fim de nossas reservas de floresta e entregou nossas riquezas". A votação do novo texto do Código estava prevista para esta quarta-feira, 7, na Câmara dos Deputados, mas foi adiada para a próxima terça-feira, 13.

Novo Código Florestal deve anistiar 75% das multas milionárias

A aprovação do novo Código Florestal, prevista para esta semana, deve levar à suspensão de três em cada quatro multas acima de R$ 1 milhão impostas pelo Ibama por desmatamento ilegal, informa reportagem de Lúcio Vaz e João Carlos Magalhães, publicada na Folha desta segunda-feira (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).

A Folha obteve a lista sigilosa e atualizada das 150 maiores multas do tipo expedidas pelo órgão ambiental e separou as 139 que superam R$ 1 milhão. Dessas, 103 (ou pouco menos que 75%) serão suspensas, se mantido na Câmara o texto do código aprovado no Senado. Depois, segue para a sanção da presidente Dilma Rousseff.

Pelo texto, serão perdoadas todas as multas aplicadas até 22 de julho de 2008, desde que seus responsáveis se cadastrem num programa de regularização ambiental. As punições aplicadas depois disso continuarão a valer.


Fonte: Folha UOL
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