Na Massaranduba ou na Ribeira, até peixe se afoga na maré de sujeira.

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10 janeiro 2013

Praia é só o nome. Quem é doido de pegar um sol em determinado trecho da Ribeira ou no Leblon, que apesar da referência carioca fica na Massaranduba?

Lorena Caliman

Que tal um mergulho na praia do Leblon? E se o lugar em questão, que apenas remete à famosa orla carioca, for o que ilustra esta página? No Leblon de Salvador, no bairro da Massaranduba, não há banho de mar, água de coco, belas morenas, sombra e muito menos água fresca.

Foto: Evandro Veiga

A realidade ali é absurdamente suja. Só se vê lixo, entulho e esgoto. Mas, que dizer da Ribeira? Bem em frente à tradicional sorveteria que leva o nome do bairro, a beleza do mar esconde um problema parecido. Obedecendo o vai e vem do mar, o lixo descansa sobre a areia quando a maré abaixa. Basta a água subir para a sujeira boiar.

As duas marés de lixo foram flagradas pelo CORREIO, na manhã de ontem. No lugar dos sombreiros e cadeiras de praia, a areia da Ribeira exibia embalagens de alimentos, sacolas plásticas, potes de sorvete, embalagens de desodorante, carcaças de geladeiras e... uma televisão. Sem falar nos restos de peixes, limpos por pescadores no próprio local. 

Na Massaranduba, a paisagem já nem lembra mais uma praia. No mar, quem toma banho são os sacos de lixo. Onde haveria areia não há beldades em busca de bronzeado, mas entulhos misturados a mais lixo. O odor não é de maresia e sim de esgoto e animais mortos. Não há voo de tuiuiús, mas de moscas ávidas por restos. 

O maior problema, de acordo com moradores e frequentadores dos dois lugares, é a falta de educação. Sem jogar o lixo nas caixas coletoras, a população acaba deixando os sacos nas ruas ou na beira do mar. As chuvas ou a própria maré carregam tudo. Há a suspeita de que o material venha de outros locais, com as idas e vindas da maré. 

O comerciante Pedro Ciriano observa que na Ribeira a situação existe há anos. “Tem até quem leve coisa para o barco e, lá no mar, jogue fora. A maré traz tudo de volta”, diz Pedro, que trabalha num quiosque de lanches. “O pessoal acha que a rua é lixo”. 

Na Massaranduba, a situação é ainda mais caótica. Tanto que uma equipe da Revita, que presta serviço para a Limpurb, está lá todos os dias retirando sacos de lixo do mar. O mecânico Valdo Conceição diz que o trabalho não é suficiente. Mas reclama mesmo é dos moradores. “Todo mundo joga lixo na maré e ainda tem esgoto que cai direto no mar. Essa água aqui nunca vai ficar limpa. É triste”, lamenta o mecânico, que mora no Uruguai, mas vai todos os dias no Leblon, onde atraca um barco. 

Denúncia
Segundo os moradores e funcionários da Revita, caçambas levam entulhos à praia do Leblon ilegalmente. O esquema, denunciam, envolve até o pagamento de propina a um morador, que aceitaria R$ 10 por caçamba para permitir que os materiais sejam despejados. “São cinco caçambas por dia. Eles trazem tudo que é obra pra cá”, afirmou um homem que não quis se identificar.  

De acordo com Kátia Alves, presidente da Limpurb, o órgão faz mutirões de limpeza na região. Ontem, os trabalhos se concentraram na região da Baixa do Petróleo. Também há, diz ela, um movimento de conscientização da população para que as pessoas coloquem o lixo nos locais corretos. Os mutirões devem chegar à Ribeira e ao Bonfim nos próximos dias. “Só vamos sair dos lugares quando estiverem totalmente limpos”, disse.

Migração
Especialistas no movimento das marés confirmam a suspeita dos moradores. Parte do lixo pode imigrar de outros bairros. “As correntes marítimas levam o lixo até para áreas remotas”, explica o biólogo Clarêncio Baracho. O lixo também pode ser maior em praias mais ‘internas’ na Baía de Todos os Santos, caso da Ribeira e Leblon. “São pequenas enseadas, podem acumular mais lixo”, justifica. Colaborou Thais Borges

Retirada ‘emergencial’ do lixo começou com mutirão
Dentro da programação dos mutirões de limpeza que foram iniciados na semana passada, a prefeitura  começou ontem uma operação ‘emergencial’ para retirada de lixo e entulho na Baixa do Petróleo, região da Massaranduba, na Cidade Baixa.

A operação aconteceu um dia após a visita do prefeito ACM Neto à região. Na ocasião, Neto disse que o objetivo era o de recuperar a limpeza e citou os caçambeiros ilegais que despejam entulho na localidade. “Vamos precisar do apoio da comunidade para denunciar os caçambeiros irregulares”, disse. A secretária da Ordem Pública, Rosemma Maluf, afirmou que atuaria em parceria com a Transalvador para punir os caminhoneiros.

Foto: Evandro Veiga

Segundo a presidente da Limpurb, Kátia Alves, há o projeto de se criar um mascote para incentivar as pessoas a agirem de forma correta com relação ao descarte de lixo. “Vamos fazer uma campanha grande de conscientização assim que começarem as aulas da rede municipal de educação. A ideia é trabalhar um mascote que simbolize a limpeza, não a sujeira”, declarou.

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Franklin Oliveira

Técnico em Meio Ambiente, Gestor Ambiental, Consultor Ambiental Autônomo, Auditor Interno de Sistema de Gestão Integrado nas normas ISO 9001:2008, ISO 14001:2004 e OHSAS 18001:2007, atua na elaboração, implementação e acompanhamento de projetos e programas ambientais voltados à sustentabilidade, educação ambiental, impactos ambientais, gestão de riscos ambientais e gerenciamento de resíduos sólidos.

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