4 Conferência Nacional do Meio Ambiente (CNMA) 2013 - Resíduos Sólidos.
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Pescadores salvam golfinho preso a saco plástico no litoral paulista.


Pescadores em um barco resgataram um golfinho preso em um saco plástico. O resgate aconteceu no litoral de São Paulo.

Confira o vídeo:

Cientistas investigam impacto de plástico 'oculto' nos mares.

Uma equipe da BBC que fazia um documentário no ano passado sobre vida marinha encontrou lixo plástico que viajou milhares de quilômetros pelo oceano até parar no outro lado do planeta, em uma ilha remota a noroeste do Havaí. O grupo de documentaristas e biólogos encontrou tartarugas que faziam ninhos no meio de garrafas plásticas, isqueiros e brinquedos. E descobriu filhotes de albatrozes mortos ou à beira da morte porque seus pais os haviam alimentado com plástico. Alguns dos filhotes morrem quando objetos pontiagudos perfuram seus corpos, outros por fome, com seus estômagos cheios de plástico que não conseguem digerir. Sabemos há algum tempo que o plástico é uma ameaça aos albatrozes, mas quão perigoso é o lixo plástico para outras espécies - inclusive o homem?

Parte do plástico encontrado nos nossos oceanos foi jogada no mar ilegalmente. Uma outra porção é lixo da pesca, mas a maioria vem da terra, de lixões mal administrados e de lixo industrial. O lixo que flutua nos mares é carregado por grandes sistemas de correntes marítimas rotativas, como grandes redemoinhos, impulsionados pelo movimento de rotação da Terra e os ventos. O arquipélago do Havaí está situado no meio de um desses sistemas, conhecido como o Giro do Pacífico Norte - um entre cinco sistemas interconectados de correntes oceânicas. Cada um desses sistemas forma uma espiral, girando em torno de um ponto central, levando detritos para o seu interior.

Essas espirais também podem expelir materiais em direção aos continentes Ártico e Antártico, espalhando o plástico por todo o planeta. O plástico é feito para durar, por isso, se degrada muito lentamente nos mares, despedaçando-se em fragmentos cada vez menores. Esses pedaços minúsculos de plástico são conhecidos como microplástico.

Tartaruga vivendo em meio a garrafas no Havaí; plástico tem sido 
encontrado no estômago de animais (Foto: BBC)

Mudanças hormonais

Para demonstrar o que acontece com o plástico que se degrada no oceano, o especialista em poluição marinha Simon Boxall, do Centro Nacional de Oceanografia britânico em Southampton, na costa sul da Grã-Bretanha, filtrou 400 toneladas de água do mar e levou os detritos para análise em seu laboratório. A olho nu, era possível ver lama, galhos e penas. Mas observada ao microscópio, a amostra continha pequenas partículas de plástico. Havia pedaços de cordas plásticas, sacolas e fragmentos coloridos, alguns com forma pontiaguda. Algumas das partículas tinham menos de um milímetro de espessura, o mesmo tamanho de organismos vivos presentes na amostra - fitoplâncton (organismos vegetais) e zooplâncton (organismos animais).

"Tem havido muita pesquisa nos Estados Unidos para investigar como o plástico entra na cadeia alimentar", diz Boxall. "Certamente foi demonstrado que ele entra nos bivalves, moluscos e ostras no fundo do mar, e exerce um efeito sobre eles."

Fragmento de plástico encontrado no mar; material 
causa perigo ao ecossistema (Foto: BBC)

"Eles acumulam biologicamente o plástico na medida em que filtram a água. Isso concentra o plástico e efetivamente transforma alguns dos moluscos em hermafroditas", afirma. "Há alguns anos, achávamos que aquilo era só fibra, e que não havia grande impacto, mas sabemos agora que essas partículas muito pequenas podem imitar coisas como o estrogênio." O pesquisador acrescenta, no entanto, que o efeito verdadeiro ainda não é conhecido. "Essas partículas plásticas são como esponjas, são ímãs que atraem contaminação, coisas como o tributilestanho (substância extremamente tóxica, usada em pinturas de barcos). As minúsculas partículas absorvem esses materiais e efetivamente se tornam muito tóxicas", descreve Boxall.
"Não sabemos ainda se isso depois tem impacto sobre a cadeia alimentar. Ainda é cedo para saber quão longe na cadeia alimentar essas partículas plásticas penetram."

Efeito desconhecido

Especialistas do centro de Ecologia e Biologia Marinha da Universidade de Plymouth, na Grã-Bretanha, estudam o impacto de poluentes sobre oceanos e rios e sobre as criaturas que os habitam. O cientista Richard Thompson, que trabalha no centro, foi o primeiro a descrever os minúsculos fragmentos de plástico como 'microplásticos', já em 2004. "Há duas preocupações do ponto de vista toxicológico", diz Thompson. "Há o fato de que plásticos são conhecidos por absorver e concentrar substâncias químicas da água do mar."

"E a segunda questão diz respeito a substâncias químicas que foram introduzidas nos plásticos desde o momento da fabricação para a obtenção de qualidades específicas, como flexibilidade, ou substâncias retardadoras de chama e antimicrobianas." Com o plástico disperso na natureza em pequenos fragmentos, resta saber se existe a possibilidade de que essas substâncias químicas também sejam liberadas no meio ambiente. E a resposta, segundo Thompson, é que são necessárias mais pesquisas sobre o assunto.

Muitos albatrozes morrem após a 
ingestão de plástico (Foto: BBC)

A equipe do especialista examinou peixes encontrados no Canal da Mancha, cerca de 500 indivíduos de dez espécies diferentes, entre eles, a cavala e o poor cod (peixe da família do bacalhau). Os resultados do estudo foram publicados no Marine Pollution Bulletin (Lusher et al, MPB, December 2012). "Encontramos plástico microscópico nas vísceras de todas as espécies, mas em quantidades relativamente baixas - uma ou duas partículas por peixe - então certamente não há um risco do ponto de vista da população humana que consome esses peixes porque normalmente não comemos as vísceras", afirma Thompson.

Mas se o plástico em si não é consumido por humanos, haveria perigo de contaminação da carne do peixe pelas substâncias tóxicas contidas no plástico, e por consequência, do homem que come o peixe? Thompson diz que ainda não é possível saber. "As quantidades de plástico que estamos encontrando são tão pequenas que qualquer risco do ponto de vista do consumo humano é inexistente, ao menos pelo que sabemos no momento", diz o pesquisador. "Obviamente, isso é algo que precisamos pesquisar mais."

O especialista acrescenta, no entanto, que a equipe quer saber se o plástico representa um perigo para os animais que o ingerem, tanto por sua presença em seus organismos como pela possibilidade de que ele transporte consigo substâncias químicas nocivas. Portanto, se por um lado o impacto do alastramento do lixo plástico pelos mares pode ser avaliado por especialistas que estudam a vida marinha em lugares remotos como o Havaí, o efeito do plástico 'oculto' espalhado pelos oceanos é mais difícil de avaliar.

Retrospectiva 2012: Relembre a polêmica das sacolinhas plásticas em São Paulo.

Futura Press
Distribuição de sacolas plásticas por supermercados em São Paulo foi um 
dos assuntos controversos do ano.

iG São Paulo | 13/12/2012 17:53:22 - Atualizada às 13/12/2012 18:01:57

O ano de 2012 foi marcado pela questão da sacolinha plástica e da briga entre supermercados e entidades de direitos do consumidor, tudo em nome do meio ambiente. Em janeiro, elas deixaram de ser distribuídas nos supermercados de São Paulo, depois voltaram, foram proibidas novamente e no fim do ano, tudo está como sempre esteve. 

O assunto rendeu tanta repercussão que em novembro, o Ministério do Meio Ambiente criou um grupo para pontuar os padrões de consumo sustentável de sacolas plásticas descartáveis e avaliar seus impactos no meio ambiente.

Uma coisa é certa, nunca a sacola plástica ficou tão em voga na maior cidade do país. O assunto foi parar nas mesas de bar, jornais e até mesmo foi discussão nos almoços de família. De um lado a "resistência" (ou aqueles que queriam que elas fossem distribuidas gratuitamente como sempre foram) se gabava de atos de protesto como encher o carrinho com aquelas sacolinhas dispostas em rolos e usadas para embalar frutas. Do outro lado, ecobags de todos os tipos eram usadas como estandarte de uma causa: salvar o planeta. 

O fato é que no início do ano, de acordo com o Instituto Nacional do Plástico (INP), eram consumidos 12,9 bilhões de sacolas de plástico nos supermercados do Brasil, sendo 5,2 bilhões só no estado de São Paulo, um número considerado muito alto por especialistas. Mas a verdade é que a sacolinha vem perdendo popularidade: o consumo caiu em cinco anos consecutivos. Em 2007, foram consumidos 17,9 bilhões; em 2008 o número caiu para 16,4 bilhões, indo para 15 bilhões em 2009 e 14 bilhões em 2010.  

De acordo com dados da associação de direitos do consumidor Proteste, as sacolas plásticas duram 200 anos quando são enterradas junto com o lixo comum. Caso sofram radiação solar, somem em um ano. A demora na deterioração deste material é, sem dúvida, um grande problema ambiental, mas a principal questão está no processo de fabricação destas sacolas. Feitas de polietileno (oriundo do petróleo e do etileno), sua produção é altamente poluente ao meio ambiente.

Vários atos da história das sacolinhas

No dia 25 de janeiro os supermercados de São Paulo deixaram de distribuir gratuitamente as sacolinhas de plástico para seus clientes. Como opção, os supermercados passaram a fornecer caixas de papelão e a vender sacolas biodegradáveis ou de plástico mais resistente por R$ 0,20 . Outra opção era os clientes irem às compras com ecobags, que alguns supermercados tambem passaram a vender.

Em fevereiro, os supermercados paulistas foram obrigados a fornecer sacolas biodegradáveis gratuitamente . A Fundação Procon-SP, o Ministério Público do Estado de São Paulo e a Associação Paulista de Supermercados (APAS), assinaram um Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta, no dia 3 de fevereiro de 2012. Com ele, os supermercados deveriam fornecer as sacolas biodegradáveis até que os consumidores se acostumassem num prazo de dois meses ao novo hábito. No dia 4 de abril as sacolas biodegradáveis passaram a ser vendidas por R$ 0,59 .

Em junho deste ano, outra reviravolta: o Ministério Público derrubou o fim de sacolinhas plásticas e os estabelecimentos tiveram de voltar a distribuí-las em cumprimento ao Código de Defesa do Consumidor. O Conselho Superior do Ministério Público de São Paulo decidiu por unanimidade que o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que limitava o direito do consumidor em receber gratuitamente as sacolas plásticas, não é válido e com isso os estabelecimentos devem voltar a distribuir as sacolinhas em cumprimento ao Código de Defesa do Consumidor, segundo o MP.

Os supermercados tentaram entrar com recurso, que foi ignorado pelo ministério publico. Pórem, no dia 8 de agosto, o Tribunal de Justiça aceitou o recurso do Walmart e cassou a liminar, obtida no fim de junho pela associação civil SOS Consumidor, que obrigava a distribuição gratuita. A medida abriu precedente, a história das sacolinhas já ganhava tom de novela das nove e outros estabelecimentos também entraram com recurso. Porém com idas e vindas, a Associação Paulistas de Supermercados jogou a toalha e resolveu voltar a distribuir as sacolas plásticas, desta vez com mensagens de conscientização sobre o problema do plástico para o meio ambiente.

Pensando para frente

Em nota, a associação afirma ter orientado ou seus associados a continuar a distribuição de sacolas plásticas descartáveis, “até que seja estabelecido acordo de efeito definitivo com as entidades e autoridades de defesa dos consumidores e de proteção do meio ambiente e espera que com o Grupo de Trabalho do Ministério do Meio Ambiente se possa chegar a um acordo equilibrado e definitivo”.

De acordo com Hélio Mattar, presidente da ONG Akatu, que divulga conceitos de consumo consciente, o problema da medida que proibiu a distribuição das sacolinhas nos supermercados foi “não achar soluções de transição como um passo a passo para a sustentabilidade”.

“Em pesquisa vimos que 60% dos consumidores em São Paulo eram favoráveis à medida. Porém ela deixou o consumidor confuso”, disse ao iG . Mattar afirma que no Brasil existem cerca de 700 leis envolvendo sacolas plásticas. “ Em São Paulo a medida não funcionou como o esperado, mas em Belo Horizonte e Jundiaí (SP) elas foram bem sucedidas”, disse.

Mattar acredita que o próximo passo é fazer uma discussão “com os diversos atores” e procurar uma solução para o longo prazo. “Veja que a sacola oxibiodegradáveis não é a solução da lavoura, pelo contrário, ela é tóxica por ter metal e ainda por cima se fragmenta”, disse. Mesmo assim, ela acredita que tanta confusão sobre as sacolas teve um mérito. “Houve uma redução significativa do consumo de sacolas plásticas, após a campanha ‘Saco é um saco’, que encabeçamos este ano”. Para ele, isto já mais do que uma vitória.

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