Humanidade precisará de "três planetas" em 2050.

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19 dezembro 2012


São Paulo - Se as demandas de recursos naturais utilizados na Terra continuarem a aumentar como nos últimos 20 anos, precisaremos de quase três planetas em 2050. É o que diz o relatório Living Planet, que reúne dados científicos sobre o meio ambiente e é produzido a cada dois anos pelo WWF. Divulgado nesta terça-feira, a pouco mais de um mês da Rio+20, o documento traz um segmento especial que compara a situação do planeta no caminho entre as duas conferências históricas realizadas no Brasil, a Rio 92 e a que terá início a partir do dia 13 de junho.

Segundo o relatório, as condições do planeta pioraram apesar dos esforços da Rio 92. O mundo hoje emite 40% mais gases poluentes, teve uma perda de biodiversidade de 12%, as florestas diminuíram 3 milhões de metros quadrados, o número de pessoas vivendo em cidades, que consomem 75% da energia do planeta, aumentou 45% e a produção de comida, que consome a maior parte da água doce do planeta, também aumentou 45%.

No entanto, alguns sinais são positivos, como o aumento na eficiência do uso dos recursos naturais e a queda no desmatamento de florestas. A organização acredita que até 2050 seja possível reverter a situação de degradação ambiental. "Nós temos a capacidade de criar um futuro próspero com comida, água e energia para os 9 ou 10 bilhões de pessoas que vão habitar o planeta em 2050, mas apenas se todos nós — governos, comunidades, cidadãos — nos prepararmos para esse desafio", afirma Jim Leape, diretor geral da WWF. De acordo com Leape, a Rio+20 representa o momento oportuno para que a busca práticas que enfrentem o problema seja renovada.

"Vinte anos após a histórica Cúpula da Terra, a Rio+20 pode e deve ser o momento para os governos entrarem em acordo sobre um novo caminho para a sustentabilidade. É uma oportunidade única para haver uma congregação de comprometimento, em que países de diferentes regiões ,como a bacia do Congo e o Ártico, se unam para o melhor uso de recursos que eles compartilham; em que empresas que competem no mercado unam forças para incorporar a sustentabilidade em suas cadeias de produção e para que passem a fornecer produtos que utilizem menos recursos; em que os fundos soberanos e de pensões passem a investir mais em empregos verdes", diz. Conheça os destaques do relatório:

Mudança Climática

Criada durante a Rio 92, a Convenção da ONU sobre Mudança Climática (UNFCCC, sigla em inglês) conseguiu que os países assinassem o Protocolo de Kyoto, acordo em que se comprometiam a minimizar as emissões de gases causadores do aquecimento global. Sem a adesão dos Estados Unidos, o tratado caiu em desuso, principalmente após o Canadá anunciar que pularia fora em 2011. Segundo o relatório, apesar das manchetes geradas pelo fator que se tornou a principal questão ambiental conjunta, as emissões de carbono continuaram a aumentar: 40%, de 1992 a 2011, de acordo com o programa ambiental da ONU (Pnud).

Como consequência, o nível de carbono a atmosfera aumentou 9% desde a Rio 92 e as camadas de gelo no Ártico durante o verão diminuíram 35%, atingindo picos em 2007 e 2011. O relatório cita os esforços voluntários de países como o Reino Unido, que aprovou uma lei em 2008 que requer a redução de 80% nas emissões de gases no país até 2050. Mas afirma que apesar dos esforços, os países até agora falharam em conseguir um acordo global para metas de redução.

Biodiversidade

Criada no Rio, a Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica conseguiu aprovar em 2010 o Protocolo de Nagoya, que regulamenta o uso dos recursos genéticos. No entanto, os esforços para a preservação da biodiversidade não impediram perdas de 12% da diversidade global e 30% da diversidade nos trópicos, segundo o índice do Living Planet.

Florestas

Considerada uma das falhas da Rio 92, a não produção de um tratado para combater o desmatamento de florestas fez com que três milhões de metros quadrados de vegetação fossem perdidos. Segundo o relatório, o montante equivale ao tamanho da Índia. No entanto, o Living Planet afirma que o desmatamento tem caído na última década e aponta para esforços iniciativas como as do Brasil, que apresentou uma queda de 70% no desmatamento da Amazônia desde 2004. Além disso, as áreas e parques protegidos aumentaram de 9% a 13% desde a Rio 92.

Impacto humano

O impacto humano sobre o meio ambiente é medido em três componentes: tamanho da população, consumo e eficiência de recursos utilizados. No século passado, o principal impacto foi causado pelo aumento populacional, que quadruplicou durante os 1900. Desde a Rio 92, a população do planeta cresceu 26%, atingindo 7 bilhões em 2011. Ainda assim, há uma perspectiva de diminuição na tendência. Nos últimos 20 anos, a taxa de crescimento caiu de 1.65% para 1.2%. Possivelmente, a população pare de crescer até o final deste século. No entanto, o aumento no consumo tem causado as maiores preocupações em relação ao impacto humano no ambiente. A produção de comida aumentou 45% desde a Rio 92 e a extração de materiais 41%, índice bem acima do crescimento populacional. O mundo chega na Rio+20 com o dobro de produção de plástico e com um crescimento de 230% na produção de cimento.

O planeta ainda consegue alimentar os 7 bilhões de habitantes porque houve um acréscimo de 45% na produção de alimentos em 20 anos comparado a um crescimento de 26% da população. No entanto, o relatório afirma que o impacto ecológico é insustentável. Um dos fatores é o aumento no consumo de carne, que passou dos 34 quilos por ano por cidadão, em 1992, a 43 quilos ao ano, em 2011. Os rebanhos são responsáveis por 18% das emissões de gases causadores do aquecimento global. Outro fator é que o aumento da produtividade global se deu pelo uso de agroquímicos, que necessitam de muita energia para serem produzidos. A estimativa é que se consome entre sete e dez calorias para produzir uma caloria de alimento.

Água

A área utilizada para irrigações no mundo cresceu 21% nos últimos 20 anos. Agora a irrigação consome 70% das águas extraídas de rios e reservas subterrâneas. Se a chuva for levada em consideração, a produção de alimentos responde a 92% do consumo de água humano. Com muitos rios secando, 2,7 bilhões de pessoas sofrem com graves períodos de seca pelo menos em um mês ao ano. O relatório lembra que a problemática da água, uma crise global que vem emergindo rapidamente, mal foi discutida durante a Rio 92.

Pesca

Apesar de os oceanos estarem sofrendo com a escassez de peixes devido à redução dos estoques causados pela pesca em excesso, as fontes selvagens estão sendo substituídas por criações. A produção de peixes sustentáveis, afirma o relatório, cresceu 260% desde a Rio 92.

Fonte: EXAME Brasil
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Franklin Oliveira

Técnico em Meio Ambiente, Gestor Ambiental, Consultor Ambiental Autônomo, Auditor Interno de Sistema de Gestão Integrado nas normas ISO 9001:2008, ISO 14001:2004 e OHSAS 18001:2007, atua na elaboração, implementação e acompanhamento de projetos e programas ambientais voltados à sustentabilidade, educação ambiental, impactos ambientais, gestão de riscos ambientais e gerenciamento de resíduos sólidos.

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