Semana: Aquecimento Global e Mudanças Climáticas: Inventário de emissões de GEE e ISO 14.064

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29 março 2012


A vontade de tornar-se uma empresa verde hoje passa pela cabeça de muitos empresários, porém nem todos sabem por onde começar. Para aqueles que desejam neutralizar as emissões de gases do efeito estufa (GEE), a primeira recomendação é produzir um inventário.

O inventário de GEE contabiliza, de maneira precisa, as emissões e remoções de GEE da organização e possibilita identificar projetos que gerem créditos de carbono. Especialistas sugerem ainda que o processo seja guiado segundo normas internacionais.

Segundo Felipe Bittencourt, diretor comercial da consultoria Mundus Carbo, normas como o ISO 14.064 e o IPCC 2006 Guidelines for National Greenhouse Gases Inventories ajudam a garantir a confiabilidade dos dados.

O ISO 14.064, que auxilia na criação de um sistema de gestão das emissões de gases do efeito estufa, foi criado em 2006 para padronizar as informações internacionalmente, possibilitando a verificação por uma terceira parte. Organiza-se em três partes: Parte 1 – especificação com orientação a organizações para a quantificação e a elaboração de relatórios de emissões e remoções de gases de efeito estufa; Parte 2 – concentra-se em projetos ou em atividades baseadas em projetos de GEE especificamente concebidos para reduzir emissões ou aumentar a remoção de GEE.  Isso inclui princípios e exigências para determinar os cenários de referência (baseline) do projeto.  Ela também tem o papel de monitorar, quantificar e relatar o resultado do projeto em relação ao baseline definido e prover as bases para que projetos de GEE sejam validados e verificados; Parte 3 – Especificação com orientação para a validação e verificação de declarações de gases de efeito estufa.

Isto dá uma maior transparência para, principalmente, empresas de capital aberto. “Ele permite comparações e, convenhamos, é interessante saber se você está indo melhor ou pior que o concorrente”, afirma Bittencourt.

A Irani Celulose foi a primeira empresa brasileira a ter o inventário de GEE certificado pelo ISO 14.064 em fevereiro de 2009. A certificação foi feita pela BRTUV, com consultoria da Mundus Carbo, e constatou que a IRANI emitiu, no ano de 2006, 102.478 toneladas de carbono equivalente e removeu da atmosfera 638.630 tCO2e, resultando em uma remoção liquida de 536.152 tCO2e.

Com isso, a empresa ganhou o status de carbono neutro e muita economia.  Com base nas informações do inventário de GEE, a Irani implantou um projeto de cogeração energética (7MW) com gás residual, que resulta na emissão de 17 mil reduções certificadas de emissões (RCEs) por ano; substituiu o uso de óleo BPF por biomassa, substituiu o consumo de GLP e possibilitou a adesão a Bolsa do Clima de Chicago (CCX) com um projeto florestal.

O gerente da qualidade e meio ambiente da Irani Celulose, Leandro Farina, explica que as políticas internas da empresa passaram a levar em conta o Inventário de GEE de modo a reduzir ao máximo suas emissões. Decisões sobre tipo de tratamento de efluentes, produção de energia limpa própria e aproveitamento ou não de resíduos são alguns exemplos de temas que entraram nas pautas de discussões da diretoria.

GHG Protocol

Além do ISO 14.064, o  GHG Protocol é outra ferramenta de medição utilizada mundialmente por empresas e governos na identificação e gerenciamento de suas emissões dos gases de efeito estufa. No Brasil, a organização reúne 60 grandes empresas e, até junho de 2010, havia publicado oficialmente 23 inventários de emissão de GEE . A metodologia do GHG Protocol é compatível com as normas ISO e as metodologias de quantificação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC, com o trabalho promovido pelo Programa Brasileiro. As informações geradas podem ser aplicadas aos relatórios e questionários de iniciativas como Carbon Disclosure Project, Índice Bovespa de Sustentabilidade Empresarial – ISE e Global Reporting Initiative – GRI.

Durante o evento de avaliação dos dois anos do Programa Brasileiro GHG Protocol foi lançado o Registro Público de Emissões de GEE. A iniciativa é do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV – GVces em parceria com o World Resources Institute – WRI e significa um primeiro passo na preparação das companhias para os futuros marcos regulatórios que orientarão as ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. A divulgação das emissões setoriais também evidenciará as empresas entre os consumidores, cada vez mais atentos à responsabilidade socioambiental corporativa.

ISO 14066:2011

Esta é uma nova ferramenta internacional da ISO que oferece detalhes sobre o nível de competência exigido por aqueles que são responsáveis pela verificação e validação das emissões de gases do efeito estufa de um determinado inventário ou relatório.

A ISO 14065 especifica os requisitos para organizações que validam e verificam as emissões.


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Franklin Oliveira

Técnico em Meio Ambiente, Gestor Ambiental, Consultor Ambiental Autônomo, Auditor Interno de Sistema de Gestão Integrado nas normas ISO 9001:2008, ISO 14001:2004 e OHSAS 18001:2007, atua na elaboração, implementação e acompanhamento de projetos e programas ambientais voltados à sustentabilidade, educação ambiental, impactos ambientais, gestão de riscos ambientais e gerenciamento de resíduos sólidos.

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