Resenha - Reportagem: A Tabela do Tesouro

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01 novembro 2011

Elaboração: Franklin do Carmo Oliveira

A reportagem “A Tabela do Tesouro”, publicada pela Revista Época Negócios (edição - 54), escrita por Carlos Rydlewski, editor executivo da Época Negócios/Editora Globo e Clarice Couto, editora-assistente de Época Negócios, aborda a mineração em terras brasileiras, um dos assuntos que mais causam polêmicas nas mídias e redes sociais, especialmente quando se trata do meio ambiente.
A busca por minerais em terras brasileiras estão cada vez mais frequentes, principalmente quando se trata de produtos de qualidade e quantidade, o que torna uma preocupação para os profissionais da área ambiental. Alguns dos minerais recentemente encontrados em cidades baianas são desconhecidos por boa parte da população brasileira, mas sempre estiveram presentes na tabela periódica. É o caso do lantânio, neodímio, európio e disprósio. O vanádio, outro mineral encontrado, existe em abundância na cidade de Maracás, localizada no sul de Salvador, o interesse por esse mineral é grande, por sua qualidade e preço. Com o uso do vanádio, pode-se produzir um tipo especial de aço e alumínio mais leve e resistente que os convencionais, podendo-se reconstruir áreas afetadas por desastres naturais e até mesmo antrópicos, além do mais, o preço do vanádio dobrou entre os anos 2007 e 2008, o que torna o seu interesse ainda maior pelas indústrias estrangeiras e países desenvolvidos.
Segundo Rydlewski e Couto, a mina da Largo, na cidade de Barreiras, deve começar a operar em 2012 e a vala que atualmente possui 30 metros de comprimento, com o início das atividades a estimativa é que nos próximos 15 anos de extração do minério a vala passe a ter 400 (quatrocentos) metros de comprimento, o que se comparada com 12 campos de futebol. Os mesmos autores ainda afirmam que os investimentos com a extração do vanádio poderá chegar até U$$ 270 milhões de dólares na região, o que irá beneficiar cerca de 1,2 mil trabalhadores. As expectativas para o início da extração é grande, mas a degradação da área tende a ser muito pior. Em Barreiras, outra cidade baiana, foi encontrado outro tipo de mineral, o Tálio. A estimativa é que as reservas da cidade tenham até 60 (sessenta) toneladas. O uso desse mineral é bastante frenquente em motores de automóveis e chips, além da grama do Tálio ter sido valorizado em 30% (trinta por cento) em quatro anos. A previsão de exploração do mineral está para o ano de 2015.
A busca por terras raras em cidades brasileiras é intensa, os principais minerais encontrados nas grandes tecnologias do séc. 21 (smartphones, iPods, iPads, painéis solares, lâmpadas LED e mísseis) são compostos por 17 (dezessetes) minerais não ferrosos, que são: lantânio, neodímio, európio, disprósio, cério, praseodímio, promécio, samário, gadolínio, térbio, hólmio, érbio, túlio, itérbio, escândio, ítrio e lutécio. São minerais que não se houve falar diariamente no dia a dia. O problema é que a extração desses produtos traz junto materiais radioativos, que são totalmente nocivos à saúde dos trabalhadores e da população local tornando essa atividade perigosa.
Os riscos parecem ser incalculáveis, mais as empresas não parecem preocupadas com esse “detalhe”, é preciso parar de pensar apenas no valor econômico e passar a se preocupar primeiramente com os males que essas extrações podem causar ao meio ambiente como a degradação, erosão, assoreamento e desertificação do solo, contaminação e desperdício da água, poluição do ar, fauna e flora, como também à saúde da humana, problemas respiratórios, contaminação por materiais radioativos e o desabamento da mina, como ocorreu na China em 2008 deixando 11 (onze) funcionários feridos e 9 (nove) mortos. Antes de iniciar a extração, o órgão ambiental competente da cidade, deve exigir principalmente um plano de recuperação de áreas degradadas, exigindo da empresa responsável a recuperação das áreas afetadas pós término das extrações.
O tempo de só pensar em lucros já passou, não vale a pena explorar os recursos pensando apenas no valor econômico, mesmo porque existe um termo chamado Triple bottom line (tripé da sustentabilidade) onde estão contidos os aspectos econômicos, ambientais e sociais. A sustentabilidade deve ser inserida desde o início das atividades do empreendimento, lembrando-se sempre do que diz o art.225 da Constituição Federal de 1988, “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá - lo para as presentes e futuras gerações.” e também do conceito do desenvolvimento sustentável usado pela primeira vez no Relatório Brundtland, “Desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades.”
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Franklin Oliveira

Técnico em Meio Ambiente, Gestor Ambiental, Consultor Ambiental Autônomo, Auditor Interno de Sistema de Gestão Integrado nas normas ISO 9001:2008, ISO 14001:2004 e OHSAS 18001:2007, atua na elaboração, implementação e acompanhamento de projetos e programas ambientais voltados à sustentabilidade, educação ambiental, impactos ambientais, gestão de riscos ambientais e gerenciamento de resíduos sólidos.

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