Restos de alimentos, que antes eram jogados no lixo, agora viram adubo.

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30 outubro 2012

Qual é a primeira coisa que vem à cabeça quando o assunto é reciclagem de lixo? Acertou quem pensou em papelão, vidros, ou qualquer tipo de metal. Entretanto, o que talvez muitos não saibam é que os resíduos orgânicos, também conhecidos como lixo úmido, também podem ser reciclados, sendo transformados, em muitos casos, em adubo. Em setembro, o programa Cidades e Soluções, da Globo News, apresentou alguns casos de sucesso de empresas que vêm apostando no reaproveitamento do lixo como forma de contribuir para a sustentabilidade do planeta.

Segundo a reportagem, somente por ano, 22 milhões de toneladas de alimentos têm um destino certo: os aterros sanitários. Quando abandonados a céu aberto, os resíduos orgânicos se transformam em chorume, líquido que contamina as águas subterrâneas. Além disso, devido ao processo de decomposição, o lixo orgânico produz gás metano (CH4), que é extremamente nocivo à camada de ozônio. Como se não bastasse, esse tipo de dejeto atrai animais como ratos e diversos tipos de insetos, propiciando a propagação de doenças.

A Vide Verde produz cerca de 30 toneladas de
adubo a partir do lixo orgânico (Foto: Divulgação)

Como explica Marcos Rangel, diretor comercial da empresa Vide Verde, uma das primeiras do Brasil a aproveitar comercialmente os resíduos orgânicos, os transformando em adubo, o país ainda tem muito a evoluir neste setor. “Apenas 5% dos resíduos orgânicos são aproveitados no Brasil em sistemas de reciclagem de nutrientes e no aproveitamento energético. Uma pena, não pelo aproveitamento energético, já que temos matrizes limpas no Brasil, mas pelo não aproveitamento de nutrientes para a produção agrícola. Temos que importar alguns nutrientes para esse tipo de uso, enquanto estamos jogando tudo no lixo”, alerta Marcos.

Conforme exibido no programa, o volume de alimentos que se joga fora no Brasil daria para alimentar, aproximadamente, 30 milhões de pessoas por ano. Além do que sobra no prato do brasileiro, o desperdício começa no campo e se agrava no transporte de frutas, legumes e verduras, bem como nos seus respectivos armazenamentos inadequados. Além disso, existe toda a questão ambiental, já que para cada quilo de alimento descartado nos aterros sanitários são emitidos 400 gramas de gás na atmosfera. Já nas composteiras, locais onde o lixo orgânico sofre o processo de decomposição de forma controlada, a emissão cai para quatro gramas por quilo, ou seja, cem vezes menos.

Apesar de o cenário não ser tão promissor no Brasil, no que tange o reaproveitamento do lixo orgânico, o programa da Globo News mostrou que algumas empresas já fazem a destinação correta do lixo úmido que produzem. É o caso da L’Oréal Brasil, que gera em sua fábrica algo em torno de cinco toneladas de lixo orgânico por mês, proveniente, principalmente, do refeitório. Outra empresa que vem trabalhando o reaproveitamento sustentável do lixo é a White Martins, que recicla 98% dos resíduos gerados na fábrica, sendo que desse total o lixo orgânico corresponde de 15 a 18%.

Transformando lixo em adubo

A Vive Verde foi uma das primeiras empresas a acreditar no potencial do lixo orgânico como fonte de renda, iniciando suas atividades em 2007. Atualmente, a companhia tem faturamento mensal de 100 mil reais e atende a cerca de 30 grandes clientes. “A Vide Verde produz aproximadamente 30 toneladas de adubo por mês, que são distribuídos para o estado do Rio de Janeiro. Já temos o interesse de outros estados pelo nosso produto. Começamos nossa operação em Resende. Atualmente, já temos mais uma planta em operação, localizada em Magé, que entrou em funcionamento em 2010”, conta Marcos.

Para cada dez quilos de lixo orgânico, é gerado um quilo de adubo, conforme explica o diretor comercial. A empresa criou um processo próprio de aceleração da compostagem do lixo orgânico, que requer misturá-lo à palha, tendo como elemento fundamental a adição de um catalisador específico, feito à base de lactose e algumas leveduras.

“A compostagem é um processo microbiológico de decomposição da matéria orgânica. Ele é simples, mas exige um acompanhamento constante. Temos que sempre monitorar a umidade, a relação carbono/nitrogênio, a temperatura, entre outros fatores. Além disso, temos que ficar de olho na presença de oxigênio, que deve ser bem balanceado para que o resultado seja positivo”, explica Marcos, lembrando que o processo normal de compostagem dura de cinco a seis meses e que com a tecnologia criada pela Vide Verde, esse período cai para 40 dias.

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Franklin Oliveira

Técnico em Meio Ambiente, Gestor Ambiental, Consultor Ambiental Autônomo, Auditor Interno de Sistema de Gestão Integrado nas normas ISO 9001:2008, ISO 14001:2004 e OHSAS 18001:2007, atua na elaboração, implementação e acompanhamento de projetos e programas ambientais voltados à sustentabilidade, educação ambiental, impactos ambientais, gestão de riscos ambientais e gerenciamento de resíduos sólidos.

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